Os primeiros sintomas de fanatismo e suas estratégias de sedução

16 Maio 2008 – 10:00 am

O início de qualquer fanatismo consiste, em primeiro, reconhecermos um sujeito ou grupo estarem convictos, quando julgam de posse de uma certeza que recusa o teste da realidade. Nietzsche dizia que “as convicções são piores inimigas da verdade do que as mentiras“, porque quem mente sabe que está mentindo, mas quem está convicto não se dá conta do seu engano. “O convicto sempre pensa que sua bobeira é sabedoria” [19] . Até no campo científico, há cientistas correndo o perigo de tornar-se convictos de suas teses. Edgar Morin analisa que quando algumas idéias se tornam supervalorizadas e adquirem um caráter de grandiosidade e absolutismo tendem a levar os seus sujeitos a abdicarem de seu raciocínio crítico e se tornarem meros objetos dessas idéias. Indivíduos assim submetidos a tão grandes idéias, fazem qualquer coisa para “salva-las” de um possível furo de morte; elas funcionam como muleta existencial. Isso acontece principalmente no meio religioso, mas também pode ocorrer nos meios político, filosófico e científico.

O segundo sinal do fanatismo é quando alguém quer impor a todos de modo tirânico a “verdade” única extraída de sua inspiração ou crença absoluta. Pretende assim a uniformização via linguagem, através de aparência física, rituais e slogans do tipo: “O único Deus é Allah”, “só Cristo salva”, “Jesus Cristo é o Senhor”, “somos o Bem contra o Mal”, “Em nome do Senhor Jesus eu ordeno…” São expressões de caráter estereotipado, sustentado por uma “estrutura de alienação do saber” [20] , onde o discurso passa a falar sozinho, é uma resposta que está no gatilho, pronta para qualquer emergência que o sujeito não quer pensar. Observem o caráter tirânico, narcisista e excludente dessas afirmativas. Todos possuem uma visão que nega outros modos de crer e pensar. O mesmo acontece nos auto-elogios das pessoas de raça branca e o desprezo pelas outras como proclamam os fanáticos da extrema direita, nas ações violentas de uma torcida sobre a outra, todos, sinalizam que o indivíduo se rende ao grupo e este “a causa”. Os recém convertidos de qualquer seita religiosa ou política estão sempre convictos que, finalmente, contemplam a verdade e essa tem que ser imposta a todos, custe o que custar.

O terceiro indicativo de fanatismo, já dissemos, é quando uma pessoa passa a colocar uma causa suprema (podendo esta ser justa ou delirante) acima da vida dela e dos outros.

Quarto, quando um indivíduo e/ou grupo se isolam da convivência familiar e social e adotam um modo de vida narcísico [21] (no igual modo de vestir, de cortar ou não cortar o cabelo, no jeito de falar, nas regras de comer, na ritualística, etc), enfim, quando uniformizam seu discurso, gestos, postura, atitudes em geral e punem os que se recusam a seguir as regras impostas. Entrar para um grupo de fanáticos implica em renunciar: pai, mãe, os filhos, os amigos, o lugar onde viveu, o trabalho, enfim, os membros são persuadidos a matarem os vestígios simbólicos da vida anterior para fazer renascer a vida em outra base moral e de fé.

Quinto, quando o indivíduo e/ou grupo perdem o bom-senso na lógica da comunicação e nas ações do cotidiano. O discurso passa a ser repetitivo e estranho à vida comum.

O sexto indício de fanatismo é quando se perde o sentido de respeito e humanidade para com os diferentes, em nome de uma causa transcendente.

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Ayahuasca: Chá de uso religioso

14 Maio 2008 – 12:05 am

As religiões ayahuasqueiras
“O Daime desperta símbolos, conceitos e estereótipos profundamente arraigados na vida social, num outra espécie de linguagem” (Labate, 2004, p. 75).

O Santo Daime
Este grupo, que se originou por volta de 1920 no interior do Acre, situa sua origem mítica e histórica em um personagem fundador, o negro maranhense Raimundo Irineu Serra que, após ter experimentado a bebida, oferecida por dois personagens que tiveram contado com costumes indígenas, começou a ter visões que mudaram seu comportamento e qualidade de vida (Couto, 1989). Após a morte do fundador, um grupo de adeptos (CEFLURIS - Centro Eclético da Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra) se expandiu para a maioria das capitais brasileiras e para alguns países como, por exemplo, a Holanda e a Espanha, países estes onde o uso ritualizado da ayahuasca é, atualmente, legalizado.

A Barquinha
A Barquinha é uma das três principais religiões ayahuasqueiras brasileiras. Foi fundada por Daniel Pereira de Matos, Frei Daniel, por volta de 1945, em Rio Branco, Acre. Daniel recebia revelações musicais do Astral, os salmos, semelhantes aos hinos do Santo Daime (Araújo, 2004).

Talvez esta seja a linha ayahuasqueira mais eclética das três, com uma maior influência da Umbanda, com seus Pretos Velhos, Caboclos e Encantados (Frenopoulo, 2004), onde se realizam trabalhos de aplicação de passes, doutrinação de almas, batismo de entidades, bailado e concentração, além de duas grandes romarias por ano (mês onde se toma daime todos os dias) (Labate, 2004).

A União do Vegetal (UDV)
Fundada pelo baiano, ex-capoerista e ex-médium de incorporação do caboclo Sultão das Matas (Brissac, 2004) José Gabriel da Costa (Mestre Gabriel), é a maior (mais de 7 mil associados) e mais bem organizada das religiões ayahuasqueiras brasileiras (Labate, 2004). Mestre Gabriel conheceu o universo cultural/ayahuasqueiro da Amazônia e em 1961. Surge assim a União do Vegetal com sede em Planaltina (Brasília-DF). Esta organização possui uma doutrina cristã-reencarnacionista, permeada por elementos do espiritismo kardecista e de outras manifestações religiosas urbanas, além disso, possui um caráter mais sóbrio e menos festivo (Brissac, 1999, 2004; Labate, 2004).

O conhecimento é transmitido oralmente, é uma organização altamente hierárquica (corpo instrutivo, conselheiros, mestres, etc) e possui um Departamento Médico-Científico (DEMEC), composto por psiquiatras e outros profissionais, que recebem, avaliam e realizam pesquisas científicas com a hoasca (Nome dado à ayahuasca no contexto da UDV) (Gentil & Gentil, 2004; Labate, 2004).

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Eutanásia : Islamismo

12 Maio 2008 – 12:06 am

Uma das quatro maiores religiões monoteístas se baseia nos ensinos de Maomé, O Profeta (570-632 d.C.), escritos no livro sagrado do Corão. Islã significa submeter, e exprime a submissão à lei e à vontade de Alá. Em 1981, o Conselho Islâmico para a Europa, referenda a Declaração Islâmica dos Direitos Humanos, inspirado no Corão e na Suna (tradição dos ditos e ações do Profeta) declara entre expressamente em relação aos princípios fundamentais norteadores que fundamentam o direito mulçumano:

[…] a vida humana é sagrada e inviolável e devem ser envidados todos os esforços para protegê-la. Em particular, nenhuma pessoa deve ser exposta a lesões ou à morte, a não ser sob a autoridade da lei; durante a vida e depois da morte, deve ser inviolável o caráter sagrado do corpo de uma pessoa. Os crentes devem velar para que o corpo de um falecido seja tratado com a solenidade exigida. (PESSINI, 1999)

Segundo (PESSINI, 1999) o direito muçulmano preconiza que os direitos humanos são de origem divina, limitando desta forma drasticamente a ação do homem em suas decisões, pois sempre é a vontade divina que prevalece (NOGUEIRA, 1995), lança luz definitiva sobre o parecer islâmico a respeito da eutanásia, é que a vida humana considerada sagrada, aliada a “limitação drástica da autonomia da ação humana”, proíbem a eutanásia, o suicídio, pois o médico é um soldado da vida, portanto, este não deve tomar medidas positivas para abreviar a vida do paciente. Contudo, se a vida não pode ser restaurada é desnecessário manter uma pessoa em estado vegetativo utilizando-se de medidas heróicas.

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De volta à IURD

10 Maio 2008 – 12:18 am

São Paulo, 2° Feira, 1h 45m da madrugada.

Num programa da IURD, na Rede Record, o ex-bispo Renato Suhett assume a sua volta para a instituição, depois de vários anos de afastamento. “Cheguei a estabelecer 83 templos, mas não deu certo“, disse ao referir-se a sua antiga empreitada. Renato Suhett foi entrevistado pelo bispo Romualdo Panceiro (que é tido como provável sucessor do bispo Macedo), no altar da catedral da IURD em São Paulo.

Renato Suhett foi um dos principais pregadores da IURD nos anos 80, além de ser cantor de relativo sucesso no segmento gospel. Quando Edir Macedo foi preso em 1992, Suhett era o segundo na hierarquia. Todavia, resolveu sair da igreja quando trabalhava para Macedo em San Diego, na California. Fundou a própria igreja, em 1996, intitulada a “Igreja do Senhor Jesus Cristo”, mas fracasou. Até o ano passado, Suhett se dizia espiritualista, difundindo algumas crenças esotéricas.

Será esta uma estratégia da IURD para brecar o crescimento de igrejas rivais ? Não será uma mera coincidência se Renato Suhett readquirir seu antigo título eclesiástico ainda este ano.

Renato Suhett era adepto do chamado cristianismo esotérico. Acreditava na reencarnação e na predestinação, dentre outras coisas. A igreja que ele fundou faliu. Tentou ainda fundar uma outra, mas foi um fiasco. Se separou da mulher, contraiu dívidas… E agora está na IURD, para “tirar o atraso” e correr “atrás do prejuízo”. Continue lendo »

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Mc Creu versão gospel é Mc Céu

8 Maio 2008 – 11:38 am

Pedro enviou um comentário sobre a dança do Creu em Carnaval: Sucursal do inferno?!, onde falo sobre os crentes ao lerem à bíblia na velocidade cinco. Entretanto, estamos puramente enganados!

Se você acha que já viu de tudo nessa vida, se prepare para assistir o psicodélico vídeo e cair na risada com a nova filosofia:
Se não pode vencê-lo, junte-se a ele.

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Enfim, nada como se adequar aos desígnios da geração pirigospel.
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Eutanásia : Judaísmo

7 Maio 2008 – 1:23 am

O judaísmo é a mais antiga de fé monoteísta do Ocidente. Suas regras de conduta fundamentam-se nas interpretações da Escritura e em princípios morais de caráter geral. É uma religião que tem procurado adaptar-se aos ditames da modernidade, ao tentar reinterpretar suas antigas tradições para responder às novas questões éticas advindas do avanço das ciências, da posição da mulher na sociedade, às conflitos étnicos e políticos envolvendo o moderno Estado Judeu.

A linha de raciocínio judaica em relação à eutanásia determina que a tradição legal hebraica seja contra, porque o médico representa o canal por meio do qual Deus preserva a vida humana, posto que é vedado àquele arrogar-se o privilégio divino de decidir entre a vida e a morte de seus pacientes. Decorre do conceito de santidade da vida humana, cujo significado determina que a vida não pode ser extinta ou abreviada, tendo como fundamento à conveniência do paciente, utilidade ou empatia com o sofrimento e a dor do doente.

A halakhah, que é a lei judaica, uma reunião da lei oral e escrita, discrimina entre o prolongamento da vida do paciente, que é obrigatório, e o prolongamento da agonia, que não o é (PESSINI, 1999). Nesse caso, se o médico estiver convencido de que seu paciente esteja em estado terminal, e poderá morrer em três dias, é autorizado suspender os procedimentos de prolongamento de vida e também o tratamento não-analgésico. Em resumo, a halakhah veda a eutanásia ativa, mas admite deixar morrer um paciente em determinadas condições.

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Fé em Deus ou uma teoria sobre Deus?

3 Maio 2008 – 6:50 pm

Deus, ou o que se queira chamar como tal, é na maioria das vezes posto em dois extremos:

  • Um das religiões reveladas aonde ele (ele no sentido neutro, já que em português o gênero masculino das palavras também remetem ao neutro ou não-especificado) é visto como Pai, criador e mantenedor do universo e da vida, ele é visto como um ser de enorme potência e com características físicas e temperamentais de ser humano, aonde controversamente, ele é amor e justiça, mas também pode condenar ao castigo eterno, de acordo como a maioria dos seguidores do dogma e/ou doutrina cristã.
  • Por um outro lado, talvez devido as características apresentadas a cima, sua existência é negada, ele então é visto como o monstro espaguete voador, o amigo invisível do qual nós recorremos em tempos de tribulação, isso em um plano individual, e o déspota que é responsável pelas religiões do Oriente Médio e todo o banho de sangue que se segue direta ou indiretamente por cause de seu santo nome, em um plano social.

De antemão, não se pode afirmar a existência de um Criador, já que de um ponto de vista da ciência não se pode testar e provar como verdadeiro ou falso a existência do Criador, mas também a negação de sua existência é mais baseada em experiências pessoais e postura filosófica do que uma prova científica cabal. Alguém pode argumentar “se eu não posso nem provar nem refutar a existência de um Criador, também não posso provar nem refutar a existência de gnomos, bicho papão e do Monstro Espaguete Voador”.

De fato, ao se afirmar que é possível a existência de um Criador (nota-se que não há nenhum outro dado positivo além da teoria de sua existência, como esse Criador é, talvez seja nosso exercício de dar significado às coisas, mas não necessariamente ao atribuir algo a algum possível Criador essa seja a verdade) também se abra margem para a existência do Papai Noel e de Poisedon, por exemplo, rigorosamente falando sim, mas nosso conhecimento de mundo sabe que não existe um ser governando os mares no fundo do oceano e que o bom velhinho é uma bela alegoria de natal.

Mas a existência de um ser sentiente que tenha dado origem a tudo como clamam também as religiões reveladas não é, novamente, verificável, então o que se tem é uma teoria, para alguns o universo basta por si só, então o indivíduo se encaixa dentro do ateísmo, para outros, a existência de um ser sentiente do qual nossa razão humana (que usa apenas, na melhor das hipóteses, 10% do potencial de seu cérebro) não consegue atribuir maiores valores de juízo para uma deidade (talvez uma realidade fora desse universo aonde nossas leis físicas não se aplicariam), essa deidade talvez seja possível.

Então pode-se pensar “aonde isso vai nos levar?”, a única resposta que posso dar (agora em um tom mais pessoal) seja que ao falarmos de deidades ou a ausência delas, estamos usamos o que há de mais humano em nós, a capacidade de levantar hipóteses, testá-las e tentar chegar a um consenso sobre esse mundo que vivemos.

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Eutanásia : Budismo

2 Maio 2008 – 11:26 am

Surgiu na Índia, por meio de Siddartha Sakya-muni Gautama(556-476 a.C.), que alcançou a iluminação quando meditava sob a árvore Bô, a partir de então recebe o título de Buda, o iluminado. Em linhas gerais, o objetivo central do praticante é alcançar o nirvana, estado de iluminação e perfeição, “aniquilamento do ódio, o aniquilamento do desvario (p. 52)”. O Buda não é deus, portanto essa religião não se perde em discutir se há um deus criador, para eles a salvação é alcançada pela purificação das ilusões da vida material por meio da meditação: “o caminho da salvação é a retidão; é a meditação; é a sabedoria ( p.41)”.
O tema é controvertido, pois está conectado com a visão de integralidade da mente, corpo e espírito e ao significado da vida e da morte. O budista enxerga a vida interligada entre todos os seres vivos:

Os budistas apelam para a noção de interdependência ao abordar os dilemas éticos. Em relação ao suicídio assistido e assuntos relacionados, a perspectiva budista enfatiza o processo de decisão. Eles procuram levar em consideração todos os aspectos do sofrimento, equilibrando o desejo do indivíduo por uma morte suave com o dever do médico de não causar dano e o desejo da sociedade de preservar a vida.[…] Uma vez que a vida é transitória e a morte inevitável, e uma vez que a missão espiritual é transcender este mundo, existe uma percepção comum de que a vida e a morte devem seguir seu curso natural […] (PESSINI, 1999).

Nesta perspectiva, o budismo diz que a morte não é o fim da existência, mas uma passagem, em especial “os japoneses valorizavam mais a paz da mente e a honra da vida do que uma vida longa.” (PESSINI, 1999). O código de honra samurai prescreve o suicídio ritual como uma forma honrada de morrer em certas circunstâncias, tais como a morte iminente, a derrota em batalha ou até a ordem de senhor. Nas cerimônias do seppuku (suicídio ritual) que consistia no ato de introduzir e cortar o abdômen com a espada curta, nesta hora o guerreiro contava com um assistente que lhe cortava a cabeça com a finalidade de abreviar o sofrimento. Segundo (PESSINI, 1999) os budistas empregam elevada ênfase ao estado de consciência e paz no momento da morte.

Não existe uma oposição ferrenha à eutanásia ativa e passiva, que podem ser aplicadas em determinadas circunstâncias.[…] Resumindo, a perspectiva budista em relação à eutanásia é: no budismo, embora a vida seja preciosa, não é considerada divina, pois não existe a crença em um ser supremo ou deus criador.[…] A resistência em apressar a morte e remoção de órgãos deriva da imagem tradicional que vê os seres humanos como unidades completamente integradas mente e corpo.(PESSINI, 1999).

[1] PESSINI, Léo. A Eutanásia na Visão das Grandes Religiões Mundiais: (Budismo, Islamismo, Judaísmo e Cristianismo), 1999. Disponivel no sítio, acessado em 6 de maio de 2007.

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Eutanásia: Direito a vida ou morte digna

30 Abril 2008 – 5:06 am

Positivamente, as religiões prezam a vida humana como substrato essencial de suas doutrinas, notadamente no pensamento judaico-cristão e islâmico. Nessas religiões o suicídio é expressamente condenado, pois aquele que ceifar sua própria vida comete crime-pecado. “Não matarás”. Portanto, o crente que se mata, estará no inferno, condenado ao horror perpétuo. Não são apenas os problemas éticos que giram em torno da eutanásia, mas da própria base teológica da religião, em última análise, da relação do homem com o seu Deus e dos desdobramentos pós-morte, no plano metafísico, entre a salvação e a danação eternas.

O valor das religiões para os seres humanos não diminuiu com o passar dos tempos. Desde a Renascença, previa-se a supremacia da razão sobre a fé. “[…]Salomon Reinach apresenta, por exemplo, a religião como sendo “um conjunto de escrúpulos que opõe obstáculo ao livre exercício de nossas faculdades“. (REALE, 2002, p. 395).

Muitos pensadores e filósofos empreenderam cruzadas ferozes no sentido de derrubar a primazia ou a influência poderosa da fé, substituíndo-a pela letra crua do pensamento filosófico, propondo nova ética e moral agnóstica. Marx ao propalar a religião como o ópio das massas, ou Comte com sua religião positiva, o culto da razão, pois “o positivismo constituiu-se também em religião, cujo deus é a humanidade” (NADER, 1992, p. 176). É certo que a religião tem um papel relevante na sociedade, no exercício do controle social, se direcionando para os campos da ética e da moral, manifesta-se como imperativo categórico de valor absoluto, no papel de confortar o ser humano nas horas mais difíceis quando a razão e a filosofia não têm resposta para o sofrimento, ajudando-o a encarar os dilemas mais transcendentais, notadamente no enfrentamento da morte.

As regras de conduta esboçadas pelas grandes religiões em muito se assemelham, mas em sua maioria das vezes, representando de modo egoísta seu próprio interesse.

[1] NADER, Paulo. Filosofia do Direito. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1992.
[2] REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 19 ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

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Magia evangélica

28 Abril 2008 – 12:59 am

Este texto foi escrito sem qualquer preconceito religioso. Baseia-se, apenas, em fatos reais.

Por magia, entenda-se a arte, ou o conhecimento, de se gerar efeitos visíveis a partir de causas invisíveis. Na magia, geralmente, nós não vemos, mas sentimos os efeitos das coisas que foram pedidas. As religiões cristãs, em geral, relutam em aceitar integralmente as práticas de magia, rotulando-as como “superstição”, “crendices”, “macumba” ou “satanismo”. No entanto, a hipocrisia também faz parte de muitas pregações, e na prática, vemos rituais de magia camuflados no catolicismo e até no pentecostalismo.

No programa “Ponto de Luz”, exibido pela Rede TV entre 13h e 14h da tarde (4° feira, 16 de abril), foi feito a divulgação da “Unção para fechamento de corpo nos 7 pontos vitais” (que ocorre na Sessão do Descarrego, na Igreja Universal do Reino de Deus). Neste programa, o bispo Célio Lopes, exortava os telespectadores a aderirem a corrente falando sobre a necessidade de buscarmos alguma proteção. E acrescentava dizendo que o “fechamento” protegeria a pessoa de coisas como bala perdida e o vírus da dengue.

Os sete pontos vitais seriam: no alto da cabeça; nas costas; na frente (altura do peito); em cada uma das mãos; em cada um dos pés.

O curioso é que quem conhece os chakras, que são pontos energéticos do nosso corpo, sabe que os pontos principais também são sete, a saber: chakra coronário; chakra frontal; chakra laríngeo; chakra cardíaco; chakra plexo solar; chakra sacro; e chakra básico.

Ou seja, é obvia a influência dos chakras nos “7 pontos vitais” pregados pela IURD. Além disso, havia o “reino da luz”, que é representado por um pano branco em forma triangular sobre uma mesa, e com três copos de água nos “vértices” do pano. O bispo pedia o nome de cada pessoa que entrava em contato, e punha os nomes dentro do triângulo (“reino da luz”). No final, a já conhecida oração.

Isso é magia ! Então, está provado que cristãos também praticam alguns rituais de magia. Um dos maiores ocultistas do século 19 (no mundo ocidental), o francês Eliphas Levi, era padre. No final do século 20, o bispo Macedo, entre outros, popularizaram algumas praticas ocultistas. E agora, estão se superando em termos de criatividade.

Talvez, seja esse o motivo da popularidade da IURD, a flexibilidade e o senso oportunista que fazem com que eles se apropriem de ritos e elementos de outras religiões ou seitas, combinando-os à liturgia deles. O problema é que eles não reconhecem isso, e através de livros e dos cultos, promovem o preconceito para com às outras religiões.

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